Obrigado Centro de Apoio Social da Carregueira (meu lar)

Ao anunciar a realização da nova ação de protesto, tenho-me perguntado com frequência se não estou a parecer injusto para o Centro de Apoio Social da Carregueira, lar que me acolheu com tanto carinho. Estou com receio que as minhas constantes ações pela desinstitucionalização não sejam compreendidas por alguns. Daí esta necessidade de explicar o seguinte:

Eu não estou a realizar mais uma ação porque estou desesperado para sair deste lar. Nada disso. Sinto-me aqui muito bem. Esta luta já é antiga. Esta ação é somente a continuidade. É do conhecimento de muitos, que conheci esta instituição durante um desses protestos pelo direito a uma Vida Independente. Foi durante a viagem de protesto que realizei em 2014 de 180km em cadeira de rodas. Na altura fui surpreendido pelo apoio que os utentes me manifestaram em frente ao seu edifício, mesmo junto à EN 118. Nesse momento ficaram no meu coração. Fiquei muito sensibilizado com o seu carinho e apoio incondicional. Quem diria que um dia mais tarde também viria a fazer parte desta família...

Como estar contra uma instituição que me tem dado tanto! Tirou-me de casa onde não tinha apoio permanente como me proporcionam aqui, ofereceram-me a possibilidade de trabalhar na área que tanto gosto, Ação Social, mostraram-me que nem todas as instituições se preocupam somente com o dinheiro…

Nem imaginam a diferença entre dormir na minha casa sem apoio durante as noites, e grande parte dos dias, e saber que aqui estou protegido. É tão reconfortante pousar a cabeça no colchão quando me viram para dormir, e saber que caso precise tenho alguém ao toque de uma campainha. Na minha casa as noites eram longas, angustiantes e assustadoras. Sabia que estava sozinho e por minha conta, acontecesse o que acontecesse. Ao mínimo barulho acordava sobressaltado. Nos longos serões no inverno, após deixado na cama nem me atrevia a ligar a TV ou som do PC. Só o silêncio me tranquilizava. Achava que se houvesse barulho não conseguiria ter controle sobre o que se passava à minha volta.

E as suas colaboradoras e colaboradores...é verdade que gosto mais de uns e de umas que de outros, mas na generalidade encontrei gente surpreendente. Gente que na sua maioria faz o que faz por amor. Aguentam gritos de revolta, palavras duras e até ofensivas, alguma indiferença e falta de compreensão por parte de alguns de nós, utentes, mas mantêm a sua postura sorridente e alheios a palavras e atos menos próprios. Relevam e fazem o seu serviço com o mesmo carinho de sempre. Eu de certeza que não faria melhor que muitas delas.

A direção é composta por pessoas comprometidas com a solidariedade e preocupadas constantemente em proporcionar-nos o melhor. O nosso presidente Duarte Arsénio, encontra-se ao serviço da Instituição 8 horas ou mais diárias, e há vários anos, sem receber nada em troca. Admiro muito a sua capacidade de não abdicar dos seus princípios e de continuar a acreditar que a mudança para uma sociedade mais justa é possível. A nossa vice presidente Maria Eduarda Caetano é outro membro que se dedica a tempo inteiro voluntariamente à instituição.

Estou no lugar certo nas circunstâncias atuais. Melhor não encontraria de certeza. Foi uma sorte terem surgido na minha vida. Sou é contra a obrigatoriedade da institucionalização obrigatória. Cada um deve ter o direito de escolher onde, como, e com quem quer viver e não ter como única alternativa um lar.

Comentários

  1. Boa tarde Eduardo muito bem o Eduardo é um ser humano de grande suporte psicológico.Deus lhe dê sempre a força que tem, muito obrigado por a pessoa que é.

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